O segundo motivo dos protestos dos enfermeiros reside no reconhecimento salarial da formação dos profissionais, pedido desde 2005. O grau académico de licenciado é conferido desde 1999, embora esta formação ainda esteja reconhecida quando respeita ao pagamento de salários.
Isto significa que os enfermeiros em início de carreira auferem cerca de 900 euros por mês, quando deveriam receber um salário de cerca de 1.300 euros. Além da desigualdade entre o grau académico e o salário, os enfermeiros querem uma proposta da tutela para a evolução na carreira.
“Queremos um modelo de carreira que permita pagar mais e melhor aos mais competentes, ou seja, que o salário seja associado à aquisição e desenvolvimento de competências”, afirmou o Coordenador Nacional do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses. Segundo José Carlos Martins, “existe mais de um milhar de enfermeiros que são especialistas mas que não recebem como tal”, porque não abriu qualquer vaga ou porque não houve concurso.
Tutela recebeu representantes de enfermeiros que ameaçam com greve
Dois representantes do sindicato dos enfermeiros estiveram reunidos, durante cerca de duas horas, com o chefe de gabinete do Secretário de Estado da Saúde. “O chefe de gabinete do dr. Francisco Ramos prometeu que na segunda quinzena de Junho começa a negociação da carreira de enfermagem e que vai apresentar uma proposta de princípios estruturante para a carreira”, contaram aos manifestantes após a reunião.
Se estas reivindicações não foram atendidas “este é o tempo em que tudo terá de ser feito para pressionar” o Governo, disseram os sindicalistas em cima de um camião, que serviu de palco para os protestos.
“Se calhar, Junho não vai passar sem que a gente volte aqui ao Ministério e teremos de radicalizar formas de luta porque agora vai definir-se o que nos vai acontecer nos próximos quatro ou cinco anos”, ameaçava José Carlos Martins.
Entre as formas de luta encontra-se a convocatória de novas manifestações e até a realização de greves." Fonte:
RTP